7 de nov de 2010

Máquinas para recriar o Sol




Cientistas estão desenvolvendo reatores capazes de reproduzir a fusão nuclear que acontece nas estrelas. A ideia é usar essa tecnologia, que não polui, como fonte de eletricidade. Para que isso dê certo, será preciso construir um protótipo capaz de gerar mais energia do que consome

Parece até ficção científica. Num futuro não muito distante, reatores capazes de recriar o interior do Sol vão fornecer eletricidade para seu notebook, sua TV e as lâmpadas da sua casa. Essas máquinas serão capazes de unir átomos de hidrogênio e transformá-los em hélio, como fazem as estrelas. Por esse processo - a fusão nuclear -, libera-se uma enorme quantidade de calor, que servirá para produzir eletricidade. E há uma vantagem importante em comparação com outras fontes de energia: não poluir o meio ambiente nem deixar resíduos radioativos que duram centenas de anos. As pesquisas nesse campo têm avançado rapidamente, atraindo investimentos de países como Estados Unidos, Índia, Japão e Brasil.

Desenvolver esses complicados aparelhos pode ajudar a suportar a alta de demanda por energia no futuro, sem ampliar as emissões de carbono e, consequentemente, o aquecimento global. Um relatório divulgado no ano passado pela Agência Internacional de Energia (IEA) estima que o consumo de eletricidade no mundo aumente 76% entre 2007 e 2030 - impulsionado pelo crescimento da população e por uma sociedade cada vez mais digital, conectada e ávida por eletrônicos. A principal fonte utilizada continuará a ser o carvão queimado em termoelétricas, cuja participação na matriz energética mundial subirá de 42% para 44% no período. Até lá, as fontes renováveis vão passar de 18% para apenas 22% do total.

FUNDINDO A CUCA
Embora a fusão nuclear seja vista como solução promissora nesse cenário, ninguém até hoje conseguiu fazer uma máquina capaz de gerar mais energia do que gasta no seu funcionamento. O primeiro protótipo com boas chances de atingir esse objetivo começou a ser erguido neste ano, na pequena cidade de Cadarache, no sul da França. O Reator Experimental Termonuclear Internacional (ou Iter, sigla que, em latim, significa caminho ou rota) será construído por um consórcio que inclui China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Japão, Índia e União Europeia (veja o infográfico nas págs. 64 e 65). Não sairá barato. O custo somado da construção do reator e dos seus 30 anos de operação previstos chega a 30 bilhões de euros (perto de 70 bilhões de reais).

Sem o Iter, dificilmente as pesquisas em fusão nuclear conseguirão avançar. Não são pequenos os obstáculos para tentar simular na Terra o que acontece nas estrelas e, a partir daí, montar uma usina. As máquinas em operação atualmente foram construídas com o propósito de estudar características específicas do fenômeno de fusão; não de produzir um saldo positivo de energia. Um dos exemplos é o JET, no Reino Unido, fruto de um consórcio formado por União Europeia e Suíça. Os resultados obtidos no JET mostraram que erguer um reator de grandes dimensões, como o Iter, é o próximo passo para descobrir a viabilidade dessa tecnologia. "A natureza mostra que é possível. A questão é o ser humano entender isso", afirma Munemasa Machida, professor responsável pelo Laboratório de Plasma da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e um dos especialistas brasileiros na área.

É complicado fundir átomos porque os prótons nos seus núcleos têm carga positiva e tendem a se repelir - como quando aproximamos polos iguais de dois ímãs. No centro do Sol, a força gravitacional tem uma intensidade gigantesca e submete o hidrogênio no seu interior a uma forte pressão. Com isso, os núcleos ficam tão próximos uns dos outros que podem vencer a repulsão e se juntar, formando hélio. A altíssima temperatura, de cerca de 15 milhões de graus Celsius, mantém o hidrogênio na forma de plasma, o que favorece as colisões.


Fonte:Planeta Sustentável

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