17 de dez de 2010

Um tuíte pode mudar o mundo?

Livro defende que Twitter, Facebook e YouTube podem ser usados para salvar vidas, preservar o planeta e transformar o mundo num lugar melhor



 
 
 
Aos 31 anos, o desenvolvedor de games para celular Sameer Bhatia sentiu tonturas, náuseas e muito desconforto durante uma viagem entre o Vale do Silício, na Califórnia, e Mumbai, na Índia. Bhatia ainda não havia descoberto que sofria de um tipo raro de leucemia e sua única chance de sobreviver dependia de um doador com características raras. Morando nos Estados Unidos, a chance de encontrar alguém com o tipo de medula óssea compatível era de uma em 20 000. Ele tinha poucas semanas, mas tudo deu certo. Milagre? Sorte? Não, o final feliz ocorreu graças ao uso exaustivo de redes sociais na divulgação do problema de Bhatia e na procura de um novo doador. Usando o site www.helpsameer.org, amigos do desenvolvedor lançaram mão de uma campanha massiva com vídeos no YouTube e mensagens no Facebook. Começando com um pequeno grupo de colegas de trabalho e amigos próximos, a ação teve como resultado final o cadastro de 7 500 doadores na região de São Francisco e 250 vidas de pacientes com leucemia salvas.




A história de Sameer Bhatia é apenas um dos exemplos de poder benéfico das redes sociais comentado no livro The Dragonfl y Effect: Quick, Effective, and Powerful Ways To Use Social Media to Drive Social Change, ainda sem previsão de lançamento no Brasil. Escrita pelos pesquisadores da Stanford Graduate School of Business Jennifer Aaker e Andy Smith, a obra traz um nome que remete à agilidade e à liberdade do voo da libélula. Ao bater seus dois pares de asas membranosas, o inseto pode parar no ar ou voar para qualquer direção que quiser.



“No livro traçamos os perfis de várias organizações que usam um conceito extremamente viral para fazer ideias importantes avançar. Um exemplo é a parceria entre a Nike e a National Aids Trust no Twitter”, contou Andy Smith à INFO. “No Dia Mundial contra a Aids, quem usava um código especial deixava seus tuítes com fundo vermelho, cor oficial da campanha.”



Mas logo as redes sociais, famosas por abrigar um besteirol infinito e gastar o tempo útil das pessoas, podem mudar o mundo? “Não existem mídias que naturalmente sirvam apenas para distrair as pessoas. Assim como a TV ou o telefone, as ferramentas de mídia online podem ser usadas para uma grande variedade de propósitos”, diz o autor.



MANUAL DA SALVAÇÃO

O “efeito libélula” descrito no livro não fica apenas nos exemplos de casos de sucesso. Os autores enumeraram as táticas e as técnicas necessárias para fazer uma causa humanitária sair do plano das boas intenções para se tornar uma ação efetiva na web. As dicas vão do mais simples, como usar o Google Docs para coordenar as ações da equipe em um ambiente dinâmico, até a criação de pequenas metas que devem ser cumpridas ao longo do projeto.



Um caso interessante é o da fundação Charity: Wa ter, que financia projetos de tratamento de água nos países em desenvolvimento. No lugar de simplesmente pedir dinheiro, eles usaram o Twitter e o Facebook para engajar usuários. “O programa da Charity: Water sugeria que as pessoas pedissem aos amigos que fizessem doações no mesmo valor dos presentes recebidos no dia do seu aniversário”, diz Andy Smith. O resultado foi melhor que o esperado, pois quem recebia o pedido de um amigo de rede social confiava na avaliação da fundação como uma instituição idônea e acabava participando da ação. Pedir atenção e tempo, e só depois dinheiro, é uma das lições mais valiosas para quem quer defender uma causa na internet.



VEJA QUADRO: 03 Bons exemplos



Foi seguindo essa receita que a Nike aproveitou a boa vontade de seus mais de 30 000 funcionários espalhados pelo mundo para angariar voluntários para diversos projetos. A empresa criou um portal colaborativo em que é possível postar e pesquisar sobre ações de caridade que precisam de divulgação, ajuda financeira ou de mão de obra. “Esse é o primeiro passo: ter foco em uma única, clara e mensurável meta que pode ser difícil de alcançar, mas não efetivamente impossível”, diz Smith. Outra regra pregada pelo livro é a rapidez e a experimentação nas ações. Uma das dicas diz que na web é preciso resistir à tentação de criar um grande planejamento antes de começar a agir. Seguindo o exemplo de empresas como o Google, a ideia é aperfeiçoar a campanha ou projeto de acordo com o desempenho dele. Do mesmo jeito que uma ferramenta é beta no mundo das aplicações para web, na área do ativismo uma ideia pode amadurecer e ir melhorando com o tempo. Até porque, em casos como o de Sameer Bhatia, algumas semanas podem significar muito.






Fernando Badô



Revista Info Exame – 12/2010

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