14 de jan de 2011

Boato de saques faz moradores voltarem para casas destruídas

Com medo de perder o pouco que restou após a devastação de seus imóveis, moradores de Teresópolis põem a vida em risco


O artesão Luciano Figueiredo não quer deixar a residência com medo de saques; o primeiro andar da casa está soterrado, observe detalhe da janela à esquerda
Foto:Hélio Motta


O artesão Luciano Figueiredo, de 53 anos, sabe que neste momento sua casa, no bairro Cascata do Imbuí, é um dos lugares mais inseguros de Teresópolis. O imóvel de dois andares está praticamente submerso em lama. Restou apenas na parte de cima pouquíssimos espaços em que se consegue entrar. Troncos de árvores invadiram o local e o lixo se acumula. Mesmo assim, ele não quer deixar o imóvel. “Tenho medo de saques. Estão levando tudo por aqui”.

Junto com a mulher e a filha adolescente, Luciano tentava desobstruir as áreas em que acredita ser possível entrar no imóvel. Perguntado se não estava com medo de permanecer no lugar, por onde a água ainda passa em nível muito alto e em ritmo constante, responde: “Eu não tenho mais idade para ganhar dinheiro na vida. O jeito é tentar preservar o pouco que me restou. Se roubarem tudo, não terei como sobreviver”, ele diz.

Assim como Luciano, dezenas de moradores tentam voltar para casa, apesar da presença constante da Defesa Civil, que ainda tenta resgatar corpos na localidade. Somente nesta quinta-feira foram 16 encontrados entre os terrenos das casas e no meio do mato.



Há muitos imóveis de luxo na região



Quem percorre a Estrada José Gomes da Costa Junior, que corta os bairros da Cascata do Imbuí, da Posse e de Campo Grande, observa pelo caminho centenas de casas e condomínios de luxo. Por conta da tragédia na cidade, os imóveis estão vazios. Na região está localizado o Golf Club de Teresópolis.
Em consequência do alto padrão dos moradores (muitas casas são de veranistas), há inúmeros imóveis mais humildes no entorno da área. São de caseiros, pedreiros e domésticas, que trabalham para as famílias que moram nas grandes residências. Na parte mais alta da local fica o bairro de Campo Grande. Segundo moradores, a localidade mais atingida foi uma favela erguida na parte mais extrema do bairro.
Na noite desta quinta-feira (13), a PM montou uma base na entrada de Campo Grande. Quatro policiais, armados de fuzis, faziam a escolta bem em frente a um supermercado da Rede Economia que ficou totalmente destruído pelas chuvas, mas que ainda abrigada uma série de mantimentos. “Agora à noite decidimos barrar a entrada de pessoas, para evitar os saques. Não resolve, porque a mata aqui é muito grande. Mas ajuda”, falou um dos policiais de plantão.



Carregamentos de risco



Ao longo do dia, dezenas de pessoas se arriscavam entre o rio e a lama que tomaram conta do lugar em busca de objetos de valor dentro do que sobrou de seus imóveis. “Sei que é perigoso, mas é tudo o que temos. E não podemos deixar para os ladrões”, disse um morador que passava apressado com um pedaço de bambu no ombro carregado de objetos pessoais.
Tanto na Cascata do Imbuí quanto nos bairros localizados logo acima, Posse e Campo Grande, não há energia elétrica, telefone ou qualquer outro meio de comunicação. Moradores recorrem a velas para enfrentar a escuridão da noite no meio da mata e cozinham em fogões à lenha, improvisados com os pedaços de madeira que, assim como enormes pedaços de pedra, tomaram a região.



Fonte:IG


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Depois que alguém morre,as pessoas colocam a culpa no governo.Mas já está avisado que lá,é área de risco.
Será que eles preferem objetos,do que a própria vida?
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