12 de dez de 2010

Sua casa mais verde

Energia solar: as placas fotovoltaicas feitas na PUC-RS são eficientes e podem baratear a produção nacional



Conheça alguns dos projetos brasileiros que estão se tornando referência para as construções que respeitam o meio ambiente



 
Até 2012, uma casa com 64 painéis solares espalhados até pelas paredes, sistemas de reúso de água e automação residencial vai se tornar realidade dentro da Universidade de São Paulo (USP). O projeto, apelidado de Casa Solar Flex, é um imóvel autossuficiente em energia — por isso tem tantos painéis fotovoltaicos, para se alimentar exclusivamente de energia solar. Os donos da casa podem até ganhar algum dinheiro, vendendo a energia elétrica não aproveitada, como numa espécie de usina. Algumas tecnologias presentes no projeto já podem ser aplicadas até mesmo a edificações populares. É o caso da inércia térmica. Ela permite reter mais calor nas paredes durante o frio ou esfriar a casa no verão, economizando a energia usada na climatização.




O modelo da Casa Solar Flex segue o que os especialistas esperam que se torne popular em alguns anos e mostra o que há de mais moderno em arquitetura, design e engenharia sustentável. Ele é uma criação de seis universidades brasileiras: Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), além da USP.



Alguns atributos da iniciativa, como a automação residencial, ainda precisam amadurecer para entrar no mercado em larga escala. Uma persiana regulada automaticamente de acordo com a luminosidade do dia ou um ar-condicionado que só esfria os cômodos onde há pessoas ainda custam caro. “Já estamos formando arquitetos e engenheiros familiarizados com a tecnologia e o preço vai cair na medida em que se aprimora”, diz o físico da USP Adnei Melges de Andrade, um dos professores que coordenam o projeto. A Casa Solar Flex deve participar de uma competição internacional em Madri, na Espanha, em 2012, que exibe o que há de mais moderno em arquitetura sustentável. “No Brasil, não falta conhecimento para realizar um projeto capaz de competir com rivais internacionais. O que falta é a consolidação da tecnologia, para que ela seja usufruída pela população. Isso vai vir com o tempo”, afirma Andrade. As tecnologias de automação presentes na Casa Solar Flex estão sendo desenvolvidas por engenheiros da USP e da UFSC.



O projeto das seis universidades não é uma iniciativa isolada. Desde 2005, Florianópolis, em Santa Catarina, conta com a Casa Eficiente. O local, além de ser um laboratório de testes para os especialistas em energia alternativa e construções verdes, é uma vitrine para estudantes e turistas. Mas, como no caso da Casa Solar Flex, ela usa muitos materiais de alto custo, como as placas solares importadas. Isso prejudica a viabilidade técnica e financeira de reproduzir o projeto. Ter uma casa igual a essa ainda é difícil, mas não faltam pessoas no Brasil testando e desenvolvendo tecnologias verdes para construir as casas do futuro.



TODO PODER À ENERGIA SOLAR

A produção de painéis solares ainda é bastante incipiente no país e o custo inicial de adoção acaba sendo um pouco alto. Na PUC do Rio Grande do Sul, os engenheiros Adriano Moehlecke e Izete Zanesco são responsáveis por uma iniciativa praticamente isolada:a fabricação de painéis com eficiência semelhante à dos padrões europeus, de 15,4%
 
 
 
 
 
 
 
Priscila Jordão



Revista Info Exame – 12/2010

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