20 de dez de 2011

Maus-tratos a animais causaram polêmica em 2011

Titã foi enterrado vivo e Laica teve a mandíbula esfarelada: casos de violência contra animais mobilizam sociedade

Redação, iG São Paulo | 19/12/2011

Lobo, quando chegou à clínica em Piracicaba
No início de novembro o cachorro rottweiller Lobo foi preso em um carro e arrastado por vários quarteirões, em Piracicaba, a 160 km da cidade de São Paulo. Ele morreu quinze dias depois por complicações em seu estado clínico. Lobo se tornou um dos assuntos mais comentados no twitter e virou símbolo da luta contra os maus-tratos animais.
Depois da morte do cachorro, ONGs de proteção animal ligadas ao caso criaram uma petição online exigindo punições mais severas para quem maltratar animais. O documento, apelidado de Lei Lobo, pretende mudar as leis brasileiras para que as penas para quem maltrata, abandona ou mata animais sejam mais severas.
Na semana passada, o movimento ganhou ainda mais força. Um cachorro da raça Yorkshire foi agredido e morreu depois de apanhar de uma mulher. Imagens do cachorro sendo espancado foram postadas na internet. Fotos da agressora, uma enfermeira de Goiás, junto com dados pessoais, como nome completo, RG e CPF, foram disseminadas rapidamente nas redes sociais com pedidos de justiça contra a "assassina". A agressão foi feita na presença do filho de cerca de 2 anos da enfermeira. A petição em menos de 5 dias, conseguiu 300 mil adesões e o movimento levou a polícia a abrir inquérito. A enfermeira de Góias deve ser chamada a depor nos próximos dias.
A comoção da sociedade diante de atos de crueldade contra animais levou a uma adesão, acima da expectativa, à petição da lei Lobo. Uma das organizadoras do movimento pela aprovação da lei, Julia Bobrow, afirma que em duas semanas a marca de 77 mil assinaturas foi alcançada. “Esse resultado excelente da mobilização, que começou na internet depois do caso do rottweiller Lobo, permitiu nossa entrada em Brasília e mobilizou parlamentares, que se manifestaram sensíveis e até proativos às demandas.”

>> Abaixo-assinado a favor da Lei Lobo
Atualmente, a lei que trata de maus-tratos em animais é mesma que legisla sobre crimes ambientais (9.605/98). De acordo com esta lei, maus-tratos contra animais domésticos, nativos ou exóticos caracterizam crime e podem render pena de detenção de três meses a um ano e multa, que podem ser convertidas em penas alternativas, como doação de cestas básicas. “A Lei Lobo surge para criar um contraponto a isto, um avanço para estancar a sensação de impunidade e injustiça que se gerou no país. E como fazê-lo? Primeiramente admitindo que as leis que regem maus-tratos em animais domésticos são insuficientes, inócuas e devem estar desvinculadas da lei de crimes ambientais”, pontua Julia.

Casos recentes de maus tratos animais

O caso do rottweiller Lobo foi emblemático, mas não o único. Titã, nome que um filhote de cachorro ganhou na clínica veterinária que o recebeu após ter sido resgatado, foi enterrado vivo pelo dono na cidade de Novo Horizonte, interior de São Paulo. Ele ficou embaixo da terra por 12 horas.
Em Guarulhos, um homem arrastou seu cachorro por mais de 500 metros enquanto ele estava amarrado no para-choque do carro. O homem alegou que o cão de aproximadamente três anos atrapalhava os vizinhos da rua onde morava. Ele só não foi linchado pela população porque a Polícia Militar o prendeu antes. O agressor, o ajudante-geral Nivaldo José Cordeiro foi multado em R$ 1,5 mil. Seu carro foi multado em pouco mais de 570 reais por falta de habilitação.


Filhote foi enterrado vivo pelo dono na cidade de Novo Horizonte, interior de São Paulo

A mais de 480 quilômetros da capital de São Paulo, na cidade de Tanabi outro caso de violência contra um cachorro foi notícia. Laica, uma cadela de seis meses teve a mandíbula destruída pelo próprio dono. A cachorra foi salva pela mãe do agressor.

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